Com o objetivo aprofundar o debate sobre as boas práticas de gerenciamento de projetos no setor público, o PMIRS realizou a segunda edição do PMDay voltado ao tema. O primeiro evento aconteceu em 2016.

A apresentação inicial foi feita pelo VP de Relações Institucional e Marketing do PMIRS, Marco Kappel Ribeiro, que trouxe referências do posicionamento e atuação do PMI e do PMIRS sobre os projetos da área. Entre elas estão materiais disponíveis no site do PMIRS, como Guia de Práticas Mínimas para o Setor Público o Desenvolvendo a Gestão de Programas no Governo Federal, produzido pelo PMI Global.

Como de praxe, o PMDay incluiu o compartilhamento de cases. Um deles foi a evolução observada na Secretaria de Gestão de Obras do Rio Grande do Sul, após a adoção de um sistema de gestão, apresentada por Vinícius da Silveira Piccini, integrante da equipe de Desenvolvimento, Implementação e Manutenção do Sistema de Gestão de Obras da Secretaria. O projeto de implantação do projeto foi detalhado por Piccini. O outro case foi o da expansão da Linha 1 do Trensurb para Novo Hamburgo pelo Gerente de Desenvolvimento de Engenharia da empresa Trens Urbanos de Porto Alegre, Rafael Santos Lopes.

Uma das palestras ficou a cargo do procurador do RS desde 2010 e Secretário de Parcerias Estratégicas da Prefeitura de POA, Bruno Vicente Becker Vanuzzi, que detalhou os ciclos de estruturação de projetos no contexto de Parcerias Públicos Privadas (PPPs). Vanuzzi definiu o tema, lembrando que são contratos administrativos, cujos riscos, grande parte do financiamento, responsabilidades e decisões técnicas são assumidos pelo parceiro privado, que é remunerado por demanda e desempenho.

Entre as características da estruturação desses projetos estão a sua complexidade, multidisciplinaridade, elaboração progressiva e unidirecional, ciclo de 12 a 24 meses, alto risco financeiro e reputacional. Fazem parte do contexto das PPS consequências e desafios, como necessidade de alinhamento constante entre o técnico e o político, critérios claros e transparentes de decisão, comprometimento integral da administração, necessidade constante de apoio técnico e externo.

O palestrante, que também integrou a Unidade de Concessões e Parcerias Público do Estado entre 2015 e 2016, elencou as razões para se optar por essas parcerias, entre elas: redução de custos e diferimento dos gastos, contratos mais longos e estáveis, expectativa de melhor qualidade nas construções, alocação objetiva às partes, possibilidade de inovação pelo parceiro privado, financiamento por terceiros, maximização do potencial e orçamentos simplificados.

O GP da Procergs, Cia de Processamento de dados do Rio Grande do Sul, com mais de 40 anos de experiência e um dos fundadores do PMIRS, José Inácio Jaeger Neto, deu continuidade ao evento falando sobre os caminhos da transformação digital em âmbito governamental. Entre os desafios atuais, observou, para organizações de todas as áreas, é o cenário atual com a transformação que a TICs (tecnologias de informação e comunicação) estão promovendo.

De acordo com Jaeger Neto, dados abertos já são uma realidade, a Lei de Acesso à Informação participou dessa transformação, que já se reflete em uma diversidade de serviços públicos. Porém, há temas emergentes que dão a real dimensão do desafio que representam. Há diferença entre Governo eletrônico e digital, por exemplo. “O Futuro que se enxerga hoje é o digital”. O primeiro significa que o cidadão precisa ir até cada um dos órgãos para ser atendido. O segundo sinaliza que o cidadão se relaciona com o Estado de forma única.

 
“Para chegar até esse ponto, ainda precisamos evoluir”, aponto. Uma das providências é ir além de mudanças nos processos, que olha os problemas, dentro do Governo; sempre a fim de melhorar eficiência, o controle e atividades. O Governo digital vai além, pois olha o que o cidadão precisa. E aí, toma providências. Nesse ponto, os desafios que se põe em relação à transformação digital são também os mesmos dos entes privados. No entanto, o governo tem uma dificuldade a mais que é a necessidade de sigilo, mesmo em relação a dados próprios do cidadão.

Para promover essas mudanças o palestrante aponta para a necessidade de uma visão integrada, não vendo o Governo somente composto de órgãos diferentes. Para que isso aconteça é necessário ter uma infraestrutura que comporte, e possa ser compartilhada. Plataformas escaláveis são o caminho. Ter componentes, nessa plataforma, que facilite isso também, como por exemplo, ter um login unificado para acesso a todos os serviços, como o “login cidadão”, já disponível. E aqui, uma das barreiras a essa transformação ficam evidentes aqui, como o intercâmbio de dados, que são fundamentais.

27 de novembro de 2017