Trazer a visão do PMI sobre a Economia de Projetos e compartilhar iniciativas lançadas como alternativa ao cenário de isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus foi oportunizado a partir da primeira live do PMIRS no Instagram, promovida na noite de 07/04.

Essa é uma das ações do PMIRS Online, programa que reúne uma série de entregas e serviços digitais do Capítulo. Ele começa com uma live no Instagram @pmi_riograndedosul, às terças-feiras, das 19h30 às 20h. Os participantes votam e escolhem o assunto da próxima conversa ao final da live.   

O convidado do primeiro bate-papo foi o Diretor Executivo para a América Latina do PMI, Ricardo Triana. Essa é uma posição criada recentemente pelo PMI, que passou a investir mais na regionalização da organização, de seus produtos e serviços.

Triana foi honrado com o PMI Fellow, que reconhece profissionais da área de gestão de projetos no mundo. Já foi Chair do Board de Diretores, além de ter atuado de diversas formas como voluntário do PMI. Ele é mexicano e colombiano, e mora nos Estados Unidos. Atua há 20 anos com desenvolvimento, implementação e gerenciamento de projetos.

Acompanhe abaixo um resumo da nossa conversa!

Covid-19

“Nós estamos acelerando a transformação que tínhamos que fazer.”

O PMI está tentando responder de forma rápida à mudança do cenário. E deve apresentar, a partir de agora, iniciativas relacionadas a diferentes aspectos e participantes, como filiados e capítulos. O que havia sido planejado para os próximos 5 meses está sendo adaptado para o online. A possibilidade de prestar o exame PMP online e em casa é uma delas. É algo que já estava sendo analisado e foi acelerado.

Os desafios atuais representam uma grande oportunidade para o PMI, que deve passar a apresentar mais produtos digitais. Outros cursos e eventos que aconteciam presencialmente estão sendo organizados online.

Economia de Projetos

Estamos focados para impactar todo o ciclo de vida da pessoa.”

A Economia de Projetos é um conceito que pressupõe que os profissionais tenham as habilidades e as capacidades para transformar ideias em realidade, independe do título ou o papel que eles tenham ou desempenhem.

A velocidade que você precisa dar valor aos projetos é determinante neste cenário. As organizações não estão olhando tanto para a estratégia, para o portfólio, mas estão preocupadas em gerar valor de forma rápida. As pessoas precisam gerar este valor, e os projetos é que ajudam a criar esse valor.

Precisamos ter certeza que as pessoas têm as habilidades para criar este valor. Por isso, o PMI entende que precisa ir além dos profissionais. Precisa impactar as pessoas desde crianças. Dos 5 aos 75 anos o ciclo é muito grande, porque as habilidades das quais o PMI se refere para a criação de valor são “life skills”, ou seja, habilidades da vida.

Mas, como associação, não trabalhamos só para atender pessoas, mas também na oferta e na demanda. Ou seja, é preciso prover que as pessoas tenham essas habilidades e percebam as demandas nos governos, nas universidades, nas organizações de maneira geral.

A economia está mudando, e são as pessoas que influenciam a economia. A forma de concretizar estratégias de todos esses participantes é por meio de projetos.

O Pulse of the Profession®

A Pesquisa do PMI acontece desde 2006 e ajuda a entender o que está acontecendo no mundo e a atualizar padrões e certificações, já que conta com a participação de em torno de 3 mil profissionais espalhados por diversos lugares.

O levantamento e estudo apresentado foi desenvolvido pelo PMI a fim de entender como o gerenciamento de projetos está avançado, como os projetos estão sendo desenvolvidos, qual é a taxa de desempenho. A partir desse estudo, o PMI passou a fazer outros mais focados, que olham aspectos como mudança e riscos. Ou seja, temas mais especializados.

O material deste ano aprofundou as três tendências de organizações líderes e como se relacionam com o conceito de Economia de Projetos: “Ability is agility; Technology rules but people influence; It's a projects leader's world”.

A primeira, “habilidade é agilidade”, enfatiza que a questão da agilidade nas empresas é mais uma questão de habilidade das pessoas e de cultura organizacional do que a escolha de um método.

A segunda questão, “Tecnologia controla, mas as pessoas influenciam”, faz referência a como as pessoas contribuem e são essenciais na adoção da tecnologia. O Pulse de 2019 focou nessa conjunção entre habilidade de gerenciamento de projetos e tecnologia.

E, por fim, o terceiro ponto, “este é um mundo de líderes de projetos”, aprofundou e relacionou o líder de projeto a esse cenário e como é importante ter tais características e estar pensando no negócio.

O Brasil

Os profissionais brasileiros estão entre os 3 mil consultados para a realização da pesquisa. E algo que se confirmou novamente nesta edição é que o país apresenta dados piores que a média geral.

Um dos principais números é que, em 2019, 11% do dinheiro investido em projetos no mundo foram desperdiçados. No Brasil, esse número é de 13,4%. Isso quer dizer que temos mais problemas aqui, e que existe uma ótima oportunidade enquanto profissionais e comunidade de gestão de projetos.

É interessante que, no ano passado, essa relação era a mesma. Os números não mudam, tanta coisa que fazemos, e não muda. Como vamos fazer para que isso seja melhor? A questão aqui é como melhorar o investimento de dinheiro público ou privado. Aí é que está o verdadeiro problema.

Esse estudo enfatiza uma peculiaridade que observamos no Brasil e que indica que é necessário criar muito mais conscientização sobre a importância das boas práticas e dos projetos nas empresas e nos governos.

Uma coisa que temos que fazer mais (e está no plano de negócios que o PMI está criando para a região da América Latina) é trabalhar mais por essa conscientização, pela defesa do gerenciamento de projetos em todos os ambientes sociais.

“Não podemos ficar só falando em método, mas olhar mais se estamos respondendo ao problema e solucionando a estratégia.”

 

09 de abril de 2020