Gestão financeira em Empreendimentos foi a segunda palestra do dia 25 de junho e contou com a apresentação do presidente do Conselho Consultivo do PMIRS e sócio diretor da Technique Engenharia, empresa Mantenedora do PMIRS, o engenheiro Rogério Severo. Especialista em gerenciamento e planejamento de obras, a empresa começou sua trajetória há quase 20 anos, focada em custos em projetos. Durante sua apresentação, Severo aprofundou as premissas para fazer uma boa gestão financeira de obras e mostrou porque fazer empreendimento é diferente de fazer produto.

Os desafios econômicos e a evolução do custo da mão de obra são algumas das características que justificam um ambiente financeiro mais complexo para estes empreendimentos. Conforme Severo, para começar, uma estimativa de custos em gestão de projetos é diferente de um orçamento de um empreendimento, em que a estimativa inicial não é exatamente uma definição de preço. "Mesmo trabalhando com gerenciamento de projetos, temos a incerteza, a imprecisão na área do custo. Dependendo do tipo de obra há previsões diferentes. Por isso temos que ter um orçamento compatível com o estágio do projeto de arquitetura/engenharia e irmos refinando ele, senão só saberemos quanto será o investimento total na obra quando ela acabar. O custo é dinâmico como o projeto. Daí será tarde demais para agir. ", afirmou o engenheiro. 

Diante disso, o palestrante ressaltou a importância da consciência da necessidade em fazer planejamento e orçamento detalhados de obras e empreendimentos. Ele trouxe elementos do PMBOK que auxiliam nessa tarefa em relação aos projetos, assim como outras referências que podem ajudar na definição de preço e custos nos diversos tipos de obras, privadas e públicas.
 
Outra palestra apresentada, exemplificada por cases, foi a do conselheiro do PMIRS, Paulo Keglevich, que falou sobre o papel da análise de negócios na recuperação de projetos problemáticos. Entre outras tantas certificações, o especialista é um dos primeiros brasileiros a obter a certificação PMI-PBA, relacionada à análise de negócios nos projetos.

O palestrante elencou os sinais sérios de que um projeto está com problemas. Quando um patrocinador ou executivo sênior expressa sua insatisfação, mesmo de forma disfarçada ou não fazendo questão de acompanhar o projeto; quando partes interessadas ou relevantes, ou usuários chave não entram em consenso sobre requisitos e objetivos; quando os recursos que podem continuar ou mesmo concluir o projeto são claramente insuficientes; quando o projeto está fora do cronograma ou do orçamento; quando não existe avanço significativo no projeto; quando existem evidências de decisões de má qualidade; e quando há muitos boatos de que o projeto está naufragando.

Diante disso, Keglevich apresentou uma abordagem básica de recuperação que tem como fundamento as ferramentas da análise de negócio. Ela é formada pelos seguintes itens: estabelecer governança básica, pois habilita as organizações a gerenciar projetos de forma consistente, maximiza o valor dos resultados e promove um alinhamento com a estratégia; fazer e obter o comprometimento pessoal necessário para o êxito da recuperação do projeto, com avaliação do gerente do projetos se existe o nível de comprometimento necessário;  estabelecer uma rede de sensibilidade de sinais no projeto e ficar atento a riscos inesperados; revisar os requisitos e objetivos originais, readequando os planos; reavaliar os participantes do projeto; reestruturar sistemática de controle, envolvendo de forma mais efetiva todos as partes interessadas em uma comunicação mais eficaz e atualizando as informações; garantir suporte político de patrocinadores, stakeholderes e mesmo da equipe e fornecedores.
 
27 de junho de 2016