No dia 06 de janeiro, o site do Jornal do Comércio reproduziu matéria sobre o novo guia do PMIRS voltado a projetos no Setor Público. Abaixo, reproduzimos o conteúdo da publicação, da edição impressa do jornal no dia seguinte.

Criado para difundir as boas práticas de gerenciamento de projetos entre empresas e profissionais de diferentes áreas, o Project Management Institute (PMI) no Rio Grande do Sul tem buscado levar suas técnicas também ao setor público. No final do ano passado, o PMI-RS lançou o guia Gerenciamento de Projetos no Setor Público - Fundamentos Básicos, disponível no site www.pmirs.org.br/projetospublicos.

Organizada pelo vice-presidente de Relações Institucionais e Marketing do PMIRS, Marco Antônio Kappel Ribeiro, juntamente com Hiparcio Stoffel, integrante do grupo de trabalho do setor público, a cartilha foi inspirada em modelo já adotado nos Estados Unidos. Por aqui, teve a primeira edição em 2016, durante as eleições municipais. Desde então, explica Ribeiro, o PMIRS passou a ter mais interação com a prefeitura de Porto Alegre e com o governo do Estado. Com a prefeitura, foi assinado um convênio por meio da Escola de Gestão, diz Ribeiro.

"A ideia é levar palestras e treinamentos a servidores municipais, conhecer as rotinas e as dificuldades. O primeiro encontro foi em novembro, com cerca de 200 servidores, de diferentes secretarias e órgãos", diz. Em entrevista ao Jornal do Comércio, o vice-presidente do PMI fala sobre o guia, a importância do gerenciamento correto de projetos públicos e outros temas.

Jornal do Comércio - Onde estão os maiores problemas na gestão de projetos públicos?

Marco Antônio Kappel Ribeiro - Estão na falta de existência de escritórios de projetos, na estrutura de governança, na falta de conhecimentos de metodologias de gerenciamento dos projetos e na carência de gestão de competências. Mas eu diria que o maior problema é na governança. Segundo nossa cartilha, a governança significa gerenciar e tomar decisões baseado em métricas e indicadores, em resultados e no monitoramento correto do andamento dos projetos e até na escolha do que será feito, se realmente é uma prioridade para aquela cidade.

JC - Há algum local onde esses preceitos tenham sido aplicados com mais ênfase e já apresentem resultados?

Ribeiro - Difícil dizer, porque é um processo que se iniciou há pouco e leva tempo. Começa por agregar ao grupo servidores interessados nesse trabalho, por adesão espontânea. E tudo isso tem um tempo de maturação. Em encontro recente do PMI Day Setor Público, na Pucrs, reunimos cerca de 200 servidores do executivo e diferentes órgãos estatais.

JC - O PMI aborda, de alguma forma, o problema da corrupção no setor público?

Ribeiro - Não, em nenhum momento. É um tema bastante sensível. Mas não temos um tópico específico sobre isso porque a boa governança prevê, justamente, fazer o certo, com projetos bem estruturados, com indicadores e acompanhamento sistemático. E pode parecer que esse é um problema generalizado, mas não é. Tem muito servidor motivado a fazer as coisas certas, e, por isso, se aproximam do PMI. Mas, como em qualquer lugar, também há maus servidores. A maioria dos servidores é honesta, e precisa de projetos e de motivação. Algo que, muitas vezes, não se tem no setor público. Salário é importante, mas não pode ser considerada a motivação profissional. O PMI também trabalha para motivar as pessoas, que são fundamentais no bom andamento de um projeto.

JC - Temos, no Brasil, algum estado ou cidade que chame a atenção nesses quesitos, antes ou depois da divulgação da cartilha?

Ribeiro - A cartilha foi replicada pelos 15 capítulos do PMI no Brasil, então não temos um controle total da aplicação. Mas sei que, no Espírito Santo, já há preocupação maior em trazer para dentro do setor púbico as melhores ferramentas de gestão de projetos. Mas temos que ressaltar que adotar a cartilha não significa que está tudo sendo feito errado. Pelo contrário, temos que dar força a ações e projetos que dão certo, dar um corpo robusto para que se perpetue, para que o que está sendo feito certo não se perca.

15 de janeiro de 2019