Tudo é global. Esse é nosso novo status quo, lembrou Roberto Petry, Diretor de Digital da Dell (não mais de TI, seguindo o novo conceito diante da transformação digital pela qual passa a empresa). Junto a outros palestrantes do II Seminário Acadêmico de Gerenciamento de Projetos, realizado pelo PMIRS no dia 16 de março, o especialista contribuiu para traçar um cenário que caracteriza o ambiente em que estão e estarão inseridos os profissionais voltados a gerenciar projetos, em um evento direcionado ao público que voltou aos bancos universitários para se especializar e se reciclar. 

Já tratados como líderes de projetos pelo PMI, e não mais gerentes, terão que lidar com uma complexidade caracterizada por outra dinâmica de mercado, marcada pela Internet das Coisas, pela mobilidade, pela explosão de dados, pela navegação e por plataformas de cloud. E, na visão de Petry, serão a peça chave para simplificar essa complexidade através dos seus projetos. Compartilhando a mudança cultural que está acontecendo na Dell, uma das gigantes de TI do mundo, destacou a equação: pessoas, processos e tecnologia. 

Neste quadro, ganham destaque e fazem diferença as habilidades sociais, emocionais e comportamentais, as chamadas Soft Skills. Elas são apontadas pelo PMI, na edição mais recentes do Relatório Pulse of the Profession®, publicado neste mês de março, como essenciais ao novo e futuro profissional da área, que vai liderar projetos. O estudo, um dos mais importantes do PMI, acontece desde 2003 e envolve organizações do mundo todo, se voltou a questionar o quociente de tecnologia (TQ) relacionada às organizações ao gerenciar seus projetos. A TQ é entendida como a capacidade de uma pessoa de adaptar, gerenciar e integrar a tecnologia com base nas necessidades da organização ou do projeto. 

A constatação de que a disrrupção tecnológica mudou de vez o ambiente em que se lida com projetos, alterou até a forma como o PMI se refere às práticas, até então recomendadas. Agora elas são tratadas como ‘futuras’. E para a associação, os profissionais só conseguem dar uma resposta a essas mudanças usando e desenvolvendo suas soft skills. Ou seja, capacidades de envolvimento em equipes, de ter um pensamento voltado a soluções de problemas e de estar sempre aprendendo a aprender.

Nada disso é inato dos profissionais de hoje. Parece facilitado aos nativos digitais, mas até para eles, é desafiador. Por isso, o PMBOK® também se debruçou sobre o papel do GP na última e 6a edição. Na publicação, cada área de conhecimento tem uma seção com abordagens para ambientes ágeis, iterativos e adaptativos, descrevendo como essas práticas se integram nas configurações do projeto. O guia também dá mais ênfase ao conhecimento estratégico e de negócios - incluindo a discussão de documentos de negócios em gerenciamento de projetos - e informações sobre o Triângulo de Talentos do PMI (PMI Talent Triangle®) e as habilidades essenciais para o sucesso no mercado atual.

Portanto, no quadro que se pinta para o gerenciamento de projetos destacam-se questão de soft skills e relacionadas à comunicação, se redefinindo o papel do gerente de projetos baseado nessas habilidades e em qualidade de um líder, e de um que o PMI se refere como servidor.

O tema e as referências do PMI foram trazidos durante a palestra do VP de Relações Institucionais e Marketing, Marco Kappel Ribeiro.

25 de março de 2019